Sou voluntário, logo existo! Postado em 25/08/2017 por Argilando

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Com a palavra, @ voluntári@:

Por Flávio Gomes

 

Ao caminharmos pelas ruas desta Cidade com os olhos acordados, invariavelmente encontraremos oportunidades de atender necessidades urgentes e realimentar esperanças adormecidas.

Tenho me perguntado, há bastante tempo, as razões pelas quais determinadas pessoas decidem fazer trabalhos voluntários. Tempo demais? Dinheiro demais? Necessidade de preencher vazios existenciais? Talvez, mas creio que as razões são muito mais simples e, no entanto, significativas.

Eu não posso comprovar cientificamente, é claro, mas acredito fortemente que doar-se a algum trabalho voluntário é o que atesta, de fato, que fazemos parte de uma espécie que se constituiu e se desenvolveu de forma solidária e não solitária, como, infelizmente, muitos de nós se tornaram.

Quem caminha em direção ao outro o faz porque, de fato, sobra; mas não necessariamente dinheiro ou tempo. Sobra uma vontade intensa de ser feliz e de fazer feliz e esse sentimento de estar fazendo a diferença tem um enorme poder emocional e até mesmo terapêutico.

Para ser voluntário não precisa ter grana sobrando, não precisa ter todo o tempo do mundo, não precisa abandonar tudo, não precisa construir uma mega obra do zero. Para ser voluntário basta querer, basta acreditar, basta doar-se, do jeito que for, por mais simples que for. Por vezes basta ouvir, contar ou ouvir histórias, abraçar, sorrir, e até mesmo ser a ponte entre o recurso e a necessidade.

O voluntário é um ser humano imprescindível porque que possui a capacidade de enxergar outros humanos para além da superficialidade dos estereótipos, porque sabe se colocar no lugar do outro com serenidade e esforço de entendimento e porque não desanima com opiniões empobrecidas de pessoas que perambulam pelas ruas desta mesma cidade, mas de óculos escudos, desviando de olhares suplicantes, driblando dores alheias, com ouvidos tapados e vozes emudecidas.

Cada vez mais eu me convenço de que as pessoas decidem abraçar projeto sociais para realizarem a sua condição de humanidade. Seria algo como uma tatuagem na alma, algo do tipo: Sou voluntário, logo existo!

Voluntário não é super-herói, deus olimpiano ou espírito de luz; voluntário é uma pessoa comum, mas que sabe perceber que é plantando sorrisos que se vive a felicidade pequenina de cada dia, tão importante para que a nossa vida se torne cada vez mais real, lúcida e fértil de atitudes positivas.

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